Descrição
O escritor Manuel Luamba recupera, neste seu romance breve, a riquíssima mitologia tradicional, que alguns críticos ocidentais insistem em classificar como “realismo mágico”, quando melhor seria considerar simplesmente realismo africano, ou, como há muitos anos sugeriu Pepetela, “realismo animista”, considerando que o maravilhoso faz parte do quotidiano, não apenas das nossas populações rurais, mas também urbanas. Merece destaque a forma como Luamba reinventa a língua portuguesa, fazendo com que ela conviva com o quimbundo e o namore, numa experiência particularmente fértil, que atualiza práticas enraizadas em Angola desde o século XVII, com a história geral das guerras angolanas, de Cadornega; replicadas, com grande proveito estético, nos jornais luandenses dos finais do século XIX, e exploradas, já nos anos 1950 e 1960, por alguns dos fundadores da moderna ficção angolana, com destaque para Luandino Vieira e Uanhenga Xitu. Luamba reabre assim caminhos que, embora não sendo novos, estavam um pouco esquecidos. Os Mayombolas de Phungu a Ndongo surge, no contexto actual, como uma posposta quase transgressora, corajosa, e que merece ser amplamente conhecida e discutida. O desfecho do texto, particularmente divertido, salta do regional pra o global, num exercício de afrofuturismo que merecia um maior desenvolvimento.

Manuel Luamba é um jornalista multimídia e actor de teatro angolano que nasceu em Kitumbo, município de Kalandula, província de Malanje, aos 9 de agosto de 1985. Licenciando em direito, é jornalista correspondente da DW África (emissora internacional da Alemanha), desde agosto de 2015, e do Channal África News (serviço externo da South África Brodcasting Corporation — SABC)). Já publicou duas obras: a casa de renda (2023) e Os Mayombolas de Phungu A Ndongo (2024).








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